Quando o sucesso de um Cyber Day começa a ser construído meses antes
Para muitos consumidores, o Cyber Day dura apenas alguns minutos: encontrar uma oferta, realizar uma compra e receber uma confirmação. No entanto, por trás de cada transação bem-sucedida existe um trabalho de planejamento, tecnologia, dados e coordenação que pode começar vários meses antes do evento.
Durante sua participação no Café Plus da TXS+, Gustavo Rivera, CIO & CDTO da Forus para a América Latina, compartilhou sua visão sobre como a tecnologia se tornou um habilitador fundamental para atender consumidores cada vez mais digitais, exigentes e bem-informados.
Segundo Rivera, eventos como o Cyber Day representam um dos maiores desafios para qualquer organização de varejo — não apenas pelo aumento explosivo de tráfego e transações, mas porque colocam à prova toda a cadeia de valor da empresa: plataformas digitais, infraestrutura tecnológica, logística, estoques, meios de pagamento, atendimento ao cliente e capacidade operacional.
“Quando um cliente compra, ele espera que tudo funcione. Não pensa em servidores, integrações ou processos internos. O único que importa é a experiência.”, comentou durante a entrevista.
Por isso, o trabalho tecnológico por trás desses eventos vai além de garantir a disponibilidade das plataformas. Envolve antecipar o comportamento do consumidor, projetar demanda, assegurar a continuidade operacional e coordenar múltiplas áreas do negócio para atender milhares de clientes simultaneamente.
Tecnologia a serviço do negócio — e não o contrário
Um dos pontos mais relevantes destacados por Rivera é que a tecnologia deixou de ser apenas uma função de suporte para se tornar uma capacidade estratégica do negócio.
Com base em sua experiência liderando transformações em grandes empresas de varejo, a evolução tecnológica deve estar diretamente conectada à geração de valor para clientes, colaboradores e acionistas.
Nesse contexto, os dados assumem um papel central. A capacidade de compreender o comportamento do consumidor, identificar padrões, antecipar tendências e personalizar experiências tornou-se uma vantagem competitiva difícil de replicar.
A conversa também abordou o impacto da Inteligência Artificial no setor. Rivera destacou como essas tecnologias estão acelerando processos de modernização que, no passado, levariam anos para serem implementados.
Mais do que automatizar, o verdadeiro potencial da IA está em melhorar decisões de negócio, otimizar processos e elevar a experiência do cliente em escala.
O consumidor digital redefine as regras
Outro ponto destacado foi a evolução do consumidor latino-americano.
Hoje, os clientes comparam preços em tempo real, exigem entregas rápidas, demandam rastreabilidade das compras, e buscam experiências consistentes entre canais físicos e digitais.
Esse novo cenário exige que as organizações evoluam continuamente.
“Não basta ter uma plataforma de e-commerce. O desafio é garantir que toda a experiência funcione de forma integrada.”, afirmou Rivera.
Para empresas com presença regional, como a Forus, isso significa também compreender as particularidades de cada mercado, adaptando estratégias e capacidades tecnológicas a diferentes realidades operacionais, mas mantendo uma visão unificada centrada no cliente.
O valor dos parceiros tecnológicos: confiança e conhecimento
Um dos pontos mais relevantes da conversa foi o papel dos parceiros tecnológicos nos processos de transformação.
Rivera destacou que os desafios atuais são cada vez mais complexos, tornando praticamente inviável enfrentá-los apenas com recursos internos.
Por isso, a escolha de parceiros estratégicos torna-se um fator crítico para acelerar iniciativas, incorporar conhecimento especializado, reduzir riscos na execução das transformações.
Com base em sua experiência na Forus e anteriormente no Cencosud, Rivera reforçou que relações de longo prazo geram mais valor, especialmente quando há um entendimento profundo do negócio.
Nesse contexto, destacou o trabalho desenvolvido com a Practia em diferentes projetos, ressaltando a importância de contar com equipes que vão além da tecnologia, trazendo também visão de negócio, proximidade e compromisso com resultados.
Mais do que fornecedores, os parceiros tornam-se uma extensão dos times internos, agregando experiência, flexibilidade e capacidade de execução em momentos críticos.
Olhando para o futuro
A visão de Gustavo Rivera reflete uma realidade clara no varejo: o sucesso digital não depende apenas da adoção de novas tecnologias, mas da capacidade de integrá-las efetivamente ao negócio para criar experiências superiores.
Em um cenário onde o Cyber Day continuará ganhando relevância e a Inteligência Artificial está redefinindo a forma de operar, as empresas que conseguirem combinar tecnologia, dados, talento e ecossistemas colaborativos estarão mais bem posicionadas para liderar o futuro do varejo na América Latina.
Porque, no fim das contas, como resume Rivera a tecnologia só gera valor quando simplifica a complexidade e melhora a experiência das pessoas.
